Termina o primeiro semestre do Projeto de Aproximação e Escuta dos Jovens na Ilha do Marajó

Atualizado: 11 de Ago de 2019

Voluntariado e Inserção Sociocultural



Neste final de semana, encerrou-se o primeiro semestre do Projeto de Aproximação e Escuta dos jovens da Ilha do Marajó, no Estado do Pará. Frente a pluralidade amazônida, o projeto é um primeiro passo para ampliar o serviço à juventude para as mais diversas expressões juvenis do Brasil, proposto pelo Programa MAGIS. O objetivo é mapear a diversidade de manifestações e expressões juvenis no ato da aproximação, além de acompanhar, na medida do possível, as singularidades das juventudes na Amazônia

As comunidades escolhidas para o início da aproximação foram Santana do Arari e Aranaí, dos municípios de Ponta de Pedras e Cachoeira do Arari na Ilha do Marajó no Estado do Pará. O primeiro contato ocorreu na Semana Santa Jovem, promovida pelo Centro  MAGIS Amazônia, em março deste ano. Em abril, para dar início à primeira fase do projeto, ou seja o processo de aproximação, três colaboradores visitaram as comunidades apresentando o Programa MAGIS Brasil, bem como a espiritualidade Inaciana e a promoção da justiça socioambiental.

A partir de uma dinâmica de acolhimento da comunidade, o Centro MAGIS Amazônia promoveu atividades eclesiais e culturais no anseio de criar pontes de escuta para as vozes juvenis que ali estavam. No final dessa primeira fase, criou-se um cronograma de atividades a serem promovidas pelo Centro MAGIS mensalmente nas duas comunidades, a programação foi construída a partir do apelo e das necessidades das comunidades e principalmente das juventudes.

Dentre as atividades propostas estavam desde palestras conscientizadoras, oficinas culturais, lucernários, artesanato e auxílio nas atividades da comunidade, até mesmo auxílio para realizar festividades comunitárias e celebrações.




A presença do Centro MAGIS Amazônia só foi possível a partir do voluntariado de jovens que, todo mês, se propunham a ir e promover as atividades de aproximação nas comunidades ribeirinhas. O Centro MAGIS Amazônia acredita na troca mútua de experiências entre as juventudes, fazendo com que ambas as realidades possam enriquecer-se umas com as outras. O jovem Otávio Tocantins (30) foi um dos voluntários que esteve presente na comunidade de Aranaí, em Cachoeira do Arari, e relata sua experiência de acolhimento da comunidade e as percepções acerca da dinâmica vivida em grupo:

“Percebi que é um povo muito católico, que tem uma fé muito pura e simples, sem muitos artifícios. Donos de uma realidade própria. Esses estímulos que vivenciamos todo dia no meio urbano não existem lá. A gente percebe que eles têm um senso de tempo menos urgente do que o nosso da cidade. São pessoas simples de coração puro que são extremamente acolhedores, um povo alegre que vive em constante contato com a natureza. Tem muito a ensinar a quem vem de fora, primeiro pelos braços que acolhem e também no conhecer a si mesmo, a dar valor no lugar em que se vive. Recomendo a todos vivenciarem essa experiência”. Conta o arquiteto colaborador do Centro MAGIS Amazônia.




Os voluntários foram postos em confronto com as suas próprias realidades e puderam analisar o perfil da juventude daquela área, de forma a compreender de quais maneiras o Projeto poderia repercutir de forma positiva para aquela comunidade.

Assim, então, inicia-se a segunda fase do projeto: a escuta. Esta etapa diz respeito a aplicação de questionários que se dividem em questões socioeconômicas, identificação das realidades juvenis, juventude e religião, juventude e política, juventude e sexualidade, juventude e violência e juventude e consumo. Por meio deste questionário foi possível traçar um perfil das juventudes que vivenciaram a primeira etapa do Projeto. Sobre esta segunda etapa, a jovem Alicia Pereira (19) que faz parte da equipe responsável pela aproximação com o Marajó, relata:

“Aplicamos os questionários nas comunidades para entender um outro lado desses jovens. Nós estivemos com eles, vivenciamos, nos inserimos e agora queremos saber deles o que eles não tiveram coragem de nos dizer pessoalmente. Para podermos entender o que de fato a juventude da Amazônia produz, consome e quais os reais desejos dessas vozes”.

Diante da pluralidade de realidades e contextos na Amazônia, principalmente frente as várias faces das juventudes presentes na região, conhecer de perto cada rosto e cada anseio juvenil (aproximação) foi fundamental para conseguir, assim, o mapeamento (escuta) com os perfis de todos e todas que estiveram presentes ao longo do Projeto. Nesse sentido, o Centro MAGIS Amazônia, partindo das diretrizes do Programa Magis Brasil, tem o desejo de continuar o acompanhamento com estas juventudes, realizando formações, proporcionando vivências e auxiliando-as na construção de um projeto de vida, de modo que as mesmas possam cada vez mais incidir em suas realidades, promovendo a justiça socioambiental.

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